domingo, 15 de maio de 2016

O poder que o filósofo tem

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Ao analisarmos a história da civilização nos deparamos com frequentes distúrbios político-sociais cuja motivação está centrada sempre num jogo de interesses. Em alguns casos são interesses pessoais: os governantes tiranos, os ditadores, os absolutistas; noutros casos o interesse parte de grupos sociais variados: os camponeses, os mercadores, os aristocratas etc. Podemos, para entender melhor, listar genericamente a sequência de passos para o estourar de uma revolução: 1° a ideia de contraponto é gestada; 2º a ideia é divulgada; 3º a ideia é massivamente abraçada; 4º só falta o acender do pavio, um mínimo ato que demonstre o passar do limite da autoridade, e a revolução está armada.

Mas, detalhando melhor os passos para o estourar de uma rebelião social, há de se considerar a figura do filósofo. Ele sempre está por trás dos maiores eventos de transformação na sociedade, em especial as trocas de regime de governo. Tem sido assim no decorrer da história. O filósofo quase sempre é uma figura que não se envolve diretamente no conflito, no entanto, usa da palavra oral ou escrita como arma e consegue movimentar multidões.

Platão contribuiu muitos séculos antes de Cristo com traços dos sistemas políticos atuais. Maquiavel, por sua vez, defendia o poder absoluto do governante. Tempos mais tarde, nomes como Montesquieu, Voltaire, Rousseau e Karl Marx teriam influência determinante no desenrolar de revoluções e mudança dos regimes de governo de diversas nações. 

Vemos a influência de Maquiavel nos tempos de monarquia; Rousseau na Revolução Francesa e Marx na Revolução Russa. Acrescenta-se ainda um filósofo que não consta do roll da filosofia pelos motivos mais diversos. Mas ninguém pode dizer que não tenha sido filósofo. Não só foi filósofo como, diferentemente da maioria, participou ativamente do processo de câmbio regimental e após ele, quando se torna seu líder absoluto. Estamos falando de Hitler, o líder nazista da Alemanha.

Hitler escreve seu livro Mein Kampf enquanto está preso e depois faz valer as ideias ali redigidas. É óbvio que havia muita gente de acordo com ele, tanto que ele consegue chegar ao cume do poder. Não bastante, o livro se torna material obrigatório nas escolas alemãs.  Até sua morte, a filosofia de Hitler era o manual do governo alemão.

No panorama político atual do Brasil a figura de um filósofo também foi fundamental para a revolução pacífica responsável pelo afastamento da presidente Dilma Roussef, falo de Olavo de Carvalho. Este foi em tempos juvenis adepto dos ideais revolucionários inspirados na filosofia de Karl Marx, postos em prática na União Soviética e cuja bandeira mais emblemática havia se tornado a face de Che Guevara em preto e branco. Como alguém que conheceu de dentro o sistema, a ideologia e as estratégias, ao desiludir-se tornou-se o principal "desmascarador" da seita. Embora morando nos Estados Unidos, foi de lá que disseminou uma infinidade de artigos e vídeos que escancararam o projeto do Partido dos Trabalhadores para perpetuar-se no poder. Pouco a pouco movimentos foram se formando na sociedade os quais organizaram as manifestações pacíficas de rua que pressionaram o Congresso ao Impeachment.

Mas alguém pode criticar: "Como dar crédito a um senhor desbocado que fuma sem parar e nem sequer mora no Brasil e que só cursou até a 4ª série?" Simples, ele falava a verdade!

A partir dos seus textos uma frente formadora de opinião implacável se formou e as pessoas se deram conta da manipulação petista. Claro, entusiastas sempre existirão, até porque os grêmios estudantis e sindicatos conservam e devem conservar ainda por muito tempo aquele ar revolucionário brigão, inimigo das elites, nada amigável. A face de Che Guevara ou a cor vermelha ainda será para muitos jovens aquele status de bandeira da luta. Essa classe, aliás, tem a sua importância e - no fundo -  não têm culpa exclusiva por sua opção. É o grupo necessário para não deixar cair no tédio a democracia brasileira, mas - penso eu - deve permanecer no lado da oposição.

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